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sábado, 15 de janeiro de 2011

Renascimento

da Obra de Joanna d'Angelis psicografada por Divaldo Franco.

   A vida morre ou se destrutura nas moléculas que a expressam para logo renascer. Tudo se decompôe e volta a reconstituir-se.
   O incessante fenómeno da transoformação molecular é inerente à condição de transitoriedade de todas as formas e coisas.
   Morre uma expressão e surge outra. O movimento vida-morte-vida obedece ao fluxo ininterrupto da imortalidade.
   Somente eterno é o Espírito, que transita entre uma e outra aparência orgânica para atingir a excelsa destinação que lhe está reservada.
   Essa é a fatalidade estabelecida pelo Pai Criador para todas as expressões sencientes do Universo. Mediante os renascimentos em diferentes etapas, o principio espiritual desenvolve a consciência adormecida e todos os conteúdos da imagem e semelhança de Deus.
   A semente, que possui o germe da vida, a fim de faze-la desabrochar em plenitude, necessita ser sepultada no solo para morrer, quando então desperta e faz-se exuberante. Também para o espírito, torna-se indipensável envolver-se na indumentária ,material  propiciando-se a renovação de energias para desatar a divindade que nele dorme e que o convida a ininterrupto crescimento.
   Cada existência orgânica constitui uma etapa através da qual os valores internos fixam-se na consciência, facultando novos investimentos-luz para a viagem de sublimação.
   Libertando-se das camadas mais toscas e grosseiras do primarismo por onde inicia a jornada evolutiva, alcança os patamares do sentimento e da razão, programando-se a conquista da angelitude que puderá desfrutar desde o momento que se lhe imponham as intenções de auto-superação.
   Renascer na carne e do Espírito, conforme acentuou Jesus no seu momentoso diálogo com o doutor da Lei, Nicodemos, significa sim a imantação nas moléculas constituitivas da germinação que se encarrega de constituir o zigoto, depois o feto,e , por fim, o ser humano.
   Condensando a água que vitaliza com energia a forma física, nela imprime os equipamentos que lhe são necessários, graças às experiâncias transatas que lhe facultaram aquisição de implementos morais e vivenciais para atingir a meta.
   Renasce a planta após a devastação da tormenta.
   Renascem os rios e as fontes depois do ardor do verão sob as bençãos da chuva.
   Renascem os sentimentos passadas as ocorrências dilaceradoras.
   Renasce a vida em todos os fenômenos conhecidos ou não.
   Renasce o Espírito no corpo físico buscando a grande Luz.

   A experiência evolutiva começa na noite do minério e ruma para a claridade estelar da arcangelitude.
   É necessário nascer, morrer e renascer, conquistanto níveis de sabedoria dos quais o amor e o conhecimento confraternizam em clima de libertação.
   Somente através dos instrumentos que facultam o renascimento do corpo, lapida-se o Espírito que faz desabrochar todas a potencialidades adormecidas para cuja finalidade encontra-se no processo da evolução.
   Necessário desalgemar-se das imperfeições, a fim de unir os sentimentos na construção da felicidade.
   Há muita paisagem bela no caminho esperando contemplação. No entanto, é necessário seguir adiante e vencer as muitas milhas que estão aguardando na estrada do progresso.
   Quem se detém, seja por qual motivo for, transfere a oportunidade de conquistar o infinito.
   O hoje desempenha um papel de fundamental importância na aquisição do futuro. Torna-se portanto indispensável investir em luz o que se possui em sombra, que deve ser transformada em claridade de amor e misericordia.
   São o amor e misericórdia do Pai que facultam ao endividado resgatar o débito e ao calceta, o ensejo de reparar o delito.
   Da mesma maneira, cabe ao ser humano repartir com a esperança, conceder ensejo de reparação, ampliar o perdão, a fim de que o seu próximo na retaguarda tenha acesso a outros patamares da emoção e da cultura, para saber, para discernir e para amar sem preconceito nem limitação.
   O renascimento surge na árvore vergastada pela poda rude, abrindo-se em verdor, flores e frutos.
   Sem qualquer ressentimento, pelas ocorrências destrutivas que, em realidade, são apenas ocasiões transformadoras,a  vida ressurge do pântano pela drenagem, do deserto pela fertilização, abençoando o mundo e todos os seres.
   Morrer, desse modo, é conquistar novo campo vibratório para fortalecer as resistências e renascer crescendo na direção de Deus.
   Nunca temas, nem a morte, nem a vida.
   Renascerás após o trânsito espiritual conduzindo os tesouros que acumulaste na Terra e no mundo extracorpório, que te facultarão melhores investimentos em beneficio próprio e da humanidade.
   Todo o renascimento é festa de compaixão pelo trânfuga do dever.
   Renascendo, a paisagem está sempre rica de cor, de alimentos, de vida.
   O renascimento na carne é reconciliação do Espírito consigo mesmo, facultando-se ensejo novo para aprender e para viver melhor.

   Quando a noite moral te envolver em sofrimentos inesperados e deixar-te em expectativas mais inquietadoras, não olvides que a semente que não morrer, não viverá, conforme acentuou Jesus. Assim, todo aquele que não passar pela porta estreita do testemunho, não poderá contemplar a madrugada exuberante da imortalidade.
   Jamais deixes que a esperança desapareça dos teus sentimentos.
   Quando morram determinados objectivos, permanece no bem e renascerão todos eles em forma de novos desafios para o teu crescimento.
   Renascimento é vida, e vida é Deus.

Zurique, Suiça, 1 de Junho de 2001
   

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