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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eficácia da Prece

Eficácia da Prece Capitulo XXVII -5

   Por isso vos digo: Todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão.(Marcos,XI:24)
   Há pessoas que contestam a eficácia da prece, entendendo que, por conhecer a Deus as nossas necessidades, é desnecessário expô-las a Ele. Acrescentam ainda que, tudo se encandeando no universo através de leis eternas, nossos votos não podem modificar os desígnios de Deus.
   Há leis naturais e imutáveis, sem dúvida, que Deus não pode anular   segundo os caprichos  de cada um. Mas daí a  acreditar que todas as circunstâncias da vida estejam submetidas à fatalidade,a distância é grande.Se assim fosse, o homem seria apenas um instrumento passivo, sem livre arbítrio e sem iniciativa. Nessa hipótese, só lhe caberia curvar a fronte ante os golpes do destino; sem procurar evitá-los; não deveria esquivar-se dos perigos. Deus não lhe deu o entendimento e a inteligência para que não os utilizasse , a vontade para não querer, a actividade para cair na inacção. O homem sendo livre de agir, num ou noutro sentido, seus actos têm, para ele mesmo e para os outros, consequências subordinadas às suas decisões. Em virtude da sua iniciativa, há portanto acontecimentos que escapam, forçosamente à fatalidade, e que nem por isso destroem a harmonia das leis universais, da mesma maneira que o avanço ou o atraso dos ponteiros de um relógio não destrói a lei do movimento, que regula o mecanismo do aparelho.
   Deus pode, pois, atender a certos pedidos sem derrogar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, dependendo sempre o atendimento da Sua vontade.
   Seria ilógico concluir-se desta máxima:" Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado", que basta pedir para obter, e injusto acusar a Providência se ela não atendera  todos os pedidos que lhe fazem, porque ela sabe melhor do que nós o que nos convém. Assim procede o pai prudente, que recusa ao filho o que lhe seria prejudicial. O homem, geralmente, só vê o presente; mas se o sofrimento é útil para a a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa o doente sofrer a operação que deve curá-lo.
   O que Deus lhe concederá, se pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. E o que ainda lhe concederá, são os meios de se livrar das dificuldades, coma  ajuda das ideias que lhe serão sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que lhe restará o mérito da acção. Deus assiste aos que se ajudam a si mesmos, segundo a máxima: "Ajuda-te e o Céu te ajudará",  e não aos que esperam do socorro alheio, sem usar as próprias faculdades. Mas , na maioria das vezes, preferimos ser socorridos por um milagre, sem nada fazermos.(Ver Cp XXV, nº1 e seguintes)
   Tomemos um exemplo. Um homem está perdido num deserto; sofre horrivelmente de sede; sente-se desfalecer e deixa-se cair ao chão. Ora, pedindo ajuda a Deus, e espera; mas nenhum anjo vem lhe dar de beber. No entanto, um Bom Espírito lhe sugere o pensamento de levantar-se e seguir determinada direcção. Então, por um impulso instintivo, reúne as suas forças, levanta-se e avança ao acaso. Chegando a  uma elevação do terreno, descobre ao longe um regato, e com isso a coragem. Se tiver fé exclamará: Graças , meu Deus, pelo pensamento que me inspiraste e pela força que me deste". Se não tiver fé dirá :"Que boa ideia tive eu !Que sorte eu tive, de tomar o caminho da direita e não o da esquerda; o acaso, algumas vezes, nos ajuda de facto! Quanto me felicito pela minha coragem e por não me ter deixado abater!".


   Mas perguntarão, porque o Bom Espírito não lhe disse claramente: "Siga este caminho, e no fim encontrarás o que necessitas"? Por que não se mostrou a  ele, para guiá-lo e sustentá-lo no seu abatimento? Dessa maneira o teria convencido da intervenção da Providência.Primeiramente , para lhe ensinar que é necessários ajudar-se a si mesmo a de usar as próprias forças. Depois, porque, pela incerteza, Deus põe à  prova a confiança e a submissão à sua vontade. Esse homem estava na  situação de criança que, ao cair, vendo alguém, põe-se a gritar e espera que a levantem; mas, se não vê ninguém, esforça-se e levanta-se sozinha.
   Se o anjo que acompanhou o Tobias lhe houvesse dito: "Fui enviado por Deus para te guiar na viagem e te preservar de todo o perigo", Tobias não teria nenhum mérito. Foi por isso que o anjo só se deu a conhecer na volta.


Do Evangelho Segundo o Espiritismo

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