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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Porta Estreita

   Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta , e espaçoso o caminho que leva  à perdição e muito são os que entrem por ela. Que estreita é a porta, e que apertado é o caminho que leva para a vida, e quão poucos são os que acertam com ela! (Mateus, VII:13-14).
   E perguntou-lhe alguém: Senhor, são poucos então, os que se salvam? E ele lhes disse: porfiai por entrar pela porta estreita, porque vos digo que muitos procurarão  entrar e não o poderão. E quando o pai de família tiver entrado, e fechado a porta , d vós estarei de fora, e começareis a bater à porta , dizendo: Abre-nos Senhor! E Ele  vos  responderá dizendo: Não sei de onde sois . Então começareis  a dizer : Nós somos aqueles que , em tua presença, comemos e bebemos , a quem ensinaste nas nossas praças . E ele vos responderá: Não sei de onde sois ; apartai-vos de mim  todos os que obrais a iniquidade . Ali será o choro e o ranger de dentes , quando virdes  que Abrãao, Isaac e Jacó , e todos os profetas, estão no Reino de Deus, e que vós ficais fora dele, excluídos. E virão do oriente e do ocidente e do setentrião e do meio-dia, muitos  que se assentarão  à mesa do Reino de Deus. E então  os que serão os últimos serão os primeiros , e os que são os primeiros serão os últimos. (lucas, XIII:23-30).
   A porta da perdição é larga, porque  as más paixões  são numerosas e o caminho do mal é o mais frequentado . A da salvação é estreita, porque o homem porque o homem deseja transpo-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso. Completa-se a máxima: São muitos os chamados e poucos os escolhidos.
   Esse é o estado actual da humanidade terrena, porque sendo a Terra um mundo de expiações, nela predomina o mal. Quando tiver transformada, o caminho do bem será o mais frequentado. Devemos entender essas palavras, portanto no sentido relativo e não absoluto. Se esse tivesse de ser o estado normal da humanidade, Deus teria voluntariamente condenado à perdição a imensa maioria das criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e todo bondade.
   Mas quais faltas de que esta humanidade seria culpada, para merecer uma sorte tão triste, no presente e no futuro, se toda ela estivesse na Terra e a alma não tivesse outras existências? Por que tantos escolhos semeados no seu caminho? Por que essa porta tão estreita, que apenas a um pequeno número é dado transpor, se a sorte da alma está definitivamente fixada, após a morte? É assim que, com a unicidade da existência, estamos incessantemente  em contradição com nós mesmos e a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga, iluminam-se os pontos mais obscuros da fé, o presente e o futuro se mostram solidários com o passado, e somente assim podemos compreender toda a profundidade, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo.


Do Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec

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