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segunda-feira, 28 de maio de 2012
Mediunidade Gratuita
Os médiuns modernos, pois os apóstolos também tinham mediunidade, receberam igualemente de Deus um dom gratuito que é o de serem intérpretes do Espíritos, para instruírem os homens, para lhes ensinarem o caminho do bem e levá-los à fé, e não para lhes venderem palavras que não lhes pertencem, opis que não se originam nas suas ideias, em nas suas pesquisas, nem em qualquer outra espécie de trabalho pessoal. Deus deseja que a luz atinja a todos,e não que o mais pobre seja deserdado e possa dizer: Não tenho fé, porque não pude pagar, não tive a consolação de receber o estímulo e o testemunho da afeição daqueles por quem choro, pois sou pobre. Eis porque a mediunidade não é um previlégio, e se encontra por toda a parte. Fazê-la pagar, seria portanto desviá-la da sua finalidade providencial.
Qualquer pessoa que conheça as condições em que os bons Espíritos se comunicam, sua repulsa a todas as formas de interesse egoísta, e saiba como pouca coisa basta para afastá-los, jamais poderá admitir que Espíritos Superiores estejam à disposição do primeiro que os convocar a tanto por sessão. O simples bom-senso repele semelhante coisa. Não seria ainda uma profanação, evocar por dinheiro os seres que respeitamos ou que nos são caros? Não há d+uvida que podemos obter manifestações dessa maneira, mas quem poderia garantir-lhes a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos e espertos,e toda a turba de Espíritos inferiores, muito pouco escrupulosos, atendem sempre a esses chamados, e estão prontos a responder ao que lhes perguntarem, sem qualquer preocupação com a verdade. Aquele, pois, que deseja comunicações sérias, deve primeiro procurá-las com seriedade, esclarecendo-se quanto à natureza das ligações do médium com os seres mundo espiritual. Ora a primeira condição para se conseguir a boa vontade dos bons Espíritos é a que decorre da humildade, do devotamento e da abnegação: o mais absoluto desinteresse moral e material.
Ao lado da questão moral, apresenta-se uma consideração de ordem positiva, não menos importante, que se refere à própria natureza da faculdade. A mediunidade séria não pode ser e não será jamais uma profissão, não somente porque isso a desacreditaria no plano moral, porque existe ainda uma dificuldade material para isso, é que se trata de uma faculdade essencialmente instável, fugidia, variável, coma qual ninguém pode contar na certa. Ela seria, portanto, para o seu explorador, um campo inteiramente incerto, que poderia escapar-lhe no momento mais necessário.Bem diversa é uma capacidade adquirida pelo estudo e pelo trabalho, e que , por isso mesmo, torna-se uma verdadeira propriedade, da qual é naturalmente lícito tirar proveitos. A mediunidade porém, não é nem uma arte nem uma habilidade, e por isso não pode ser profissionalizada. Ela só existe graças ao concurso dos Espíritos; se estes faltarem, não há mediunidade, pois embora a aptidão possa substituir, o exercício se torna impossível. Não há por tanto um único médium no mundo que possa garantir a obtenção de um fenómeno espírita em determinado momento. Explorar a mediunidade, como se vê, é querer dispôr de uma coisa que realemnte não se possui. Afirmar o contrário é enganar os que pagam. Mas há mais, porque não é de si mesmo que se dispôe mas sim dos Espíritos, das almas dos mortos, cujo concurso é posto à venda. Este pensamento repugna instintivamente. Foi este tráfico, degenrado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância a credulidade e a superstição, que provocou a proibição de Moisés. O Espiritismo moderno, compreendendo o aspecto sério do assunto, lançou em descrédito sobre essa exploração , e elevou a mediunidade à categoria demissão ( Ver Livro dos Médiuns , cap XXVIII, e Céu e Inferno , cap XII) .
A mediunidade é uma coisa sagrada, que deve ser praticada sensatamente, religiosamente. E se há uma espécie de mediunidade que requer esta condição de maneira mais absoluta, é a mediunidade curadora. O médico oferece o rsultado dos seus estudos, feitos ao peso de sacrificios geralemnte penosos ; o magnetizador, o seu próprio fluído, e frequentemente a sua própria saúde, eles podem estipular um preço para isso. O médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos, e não tem o dierto de vendê-lo. Jesus e os Apóstolos, embora pobres, não cobravam as curas que operavam.
Que aquele pois, que não tem do que viver, procure outros recursos que não os da mediunidade, e que não lhe consagre, se necessario, senão o tempo de que materialmente possa dispôr. Os Espíritos levarão em conta o seu devotamento e os seus sacrifícios, enquanto se afastarão dos que pretendem fazer da mediunidade um meio de subir na vida.
de
" O Evangelho Segundo o Espiritismo"
Allan Kardec
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