
Considerei falar-vos hoje do medo.
Tema que, penso, merece ser estudado e analisado, por ser uma das maiores causas de vários tipos de sofrimentos que afectam o ser humano e toda a sociedade em geral.
Vivemos tempos difíceis na actual conjuntura de acontecimentos a nível mundial.
Por isso é de grande importância cada vez mais seguir os conselhos do Mestre Jesus e conhecermo-nos a nós mesmos , procurando entender o processo da nossa existência.
Procurando as respostas que poderão, por assim dizer, ajudar-nos a melhorar a cada dia e a minorar as dificuldades e os sofrimentos.
Trago-vos deste modo passagens de obras da actualidade, segundo a visão da Doutrina Espírita, com uma abordagem de profunda análise psicològica que espero ser acessível para o entendimento dos que lerem esta página , pedindo a Deus que vos ajude a iluminar o vosso caminho na conquista do auto-conhecimento e melhoramento pessoal rumo à felicidade.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
MEDO
“ Depois disto o que nos resta dizer?Se Deus está connosco , quem estará contra nós?”
(Romanos, 8;31)
O medo pode ser definido como um estado psíquico de inquietação constante , agitação ou impaciência diante de um perigo real ou imaginário.
O medo racional é saudável e necessário na nossa vida.Ele nos protege de nossa impulsividade e de nossos actos irreflectidos.
No entanto, quando o medo é patológico, torna-se destrutivo e tem como resultado a imobilidade de nossas forças mais íntimas.
Eis alguns sintomas emocionais de temores que nos complicam a existência:
· Agitação mental- incapacidade de relaxar e silenciar internamente, sendo preciso( por exemplo) reler a mesma página várias vezes.
· Pessimismo e insegurança- hesitação pertinaz em face não só das grandes como também das pequenas decisões existenciais.
· Dissociação mental-esquecimento constante das coisas mais naturais e simples do quotidiano.
· Agressividade exagerada-irrequitação contínua com tendência a atacar gratuitamente os outros com ofensas e insultos,.
· Vulnerabilidade-sensação frequente de melancolia, com choro fácil e atmosfera de perseguição contumaz.
· Comportamento compulsivo- uso de actos ritualisticos propensos ao perfeccionismo; (emplo.) ínicio de várias actividades ao mesmo tempo sem término de nenhuma.
· Aura de fracasso- desculpa por qualquer coisa e sentimento de humilhação constante na frente dos outros.
· Falta de motivação- crises de perda de interesse pela vida, sensação de desânimo.
· Mente exaurida- isolação da vida social . A criatura só executa o que é estritamente necessário para a sua manutenção diária.
Não podemos afirmar que, todos esses sintomas estão relacionados apenas com o medo,mas, quando algum deles ocorrer, é necessário estarmos alerta, pois o medo pode servindo de base às nossas emoções e atitudes perante a vida.
No Espiritismo encontramos as ferramentas essenciais e as técnicas sensatas para utilizar o medo na proporção certa e apropriada diante de cada facto ou acontecimento que tivermos que enfrentar.
O temor pode ser um ácido que venha consumir desnecessáriamente nossas energias vitais. Entretanto não podemos esquecer que “ Se Deus está connosco, quem estará contra nós”.
Neste capítulo do livro do espírito Hammed, psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto, encontramos bases para um ínicio de identificação e um princípio de tomada de consciência sobre nós próprios.
E então será de grande utilidade analizar melhor esta situação e pensarmos sobre que relação temos nós como os nossos medos.
Faremos então uma análise ainda mais profunda na obra de Divaldo Franco em Conflitos Existênciais pelo espírito Joana de Ângelis sobre a Psicopatologia do medo-Diferentes manifestações do medo e Erradicação do medo.
Muitas vezes a consciência de culpa , insconscientemente nos conduz ao medo.
Essa herança que trazemos inconscientemente responde por inúmeros desiquilibrios que dela se desdobram, mascarando-se de diversas expressões que se tornam fenomeno inevitável no proceso da aquisição de superior nível de consciência.
Esse medo é um medo absurdo que se transforma em transtorno de comportamento agravado pela natural aceitação do paciente, que o aumenta em face da insegurança emocional, tornando-se, não raro, uma patologia que pode desencadear sindromas de pânico ou transtornos obsessivos graves.
Quando se apresenta em comportamentos assinalados pela timidez, há uma natural tendência para a alienação do convívio social,isolando-se e ruminando pensamentos pessimistas em relação a si mesmo e aos demais ou transformando o sentimento em raiva mal contida que empurra para pavores imprevisíveis.
Todos são vítimas do medo em relação ao desconhecido como ocorrência normal.
Várias situações se apresentam na vida a par com o medo, o medo de não ser bem sucedido numa relação afectiva, de não conseguirmos concretizar algo ambicionado,etc.
Todavia, quando extrapola gerando situações conflitivas , dando largas à imaginação atormentada,, propiciando ansiedade, sudorese, arritmia cardiaca, identifica-se de imediato um pavor que assoma e ameaça a estabilidade emocional.
Quase sempre cultivado, deveria ser racionalizado, a fim de inutilizar-se-lhe a procedência para constatar que tem origem maior na imaginação receosa do que em factor real de desiquilibrio e de prevenção de perigo.
(Importante esta última análise que me atrevo a comentar.
Quantas vezes pioramos nós nossas situações devido à falta de disciplina na nossa imaginação que nos leva a ver as coisas mais complicadas do que realmente são.Quantas vezes alimentamos frequentemente os nossos receios fortalecendo o medo em nós próprios e o que era apenas um problema passageiro se torna num gigante devorador de nossas vidas.
Continuando então a acompanhar Divaldo Franco....)
Pode-se dizer que existem factores endógenos e exógenos que respondem pela presença do medo.Comportamentos infelizes de reeencarnações anteriores,imprimidas nos refolhos do perispírito, por sua vez instalados no subconsciente dão origem a receios e máscaras que prejudicam o ser humano.
Nesse sentido podemos incluir as perturbações de natureza espiritual,em forma de subtis obsessões, consequências daqueles actos inditosos que ficaram sem regularização no passado.
No segundo caso, as atitudes educancionais do lar, os relacionamentos familiares agressivos, o desrespeito pela identidade infantil, as narrativas apavorantes nas quais muitos adultos se comprazem atemorizando as crianças, os comportamentos agressivos das pessoas, desenvolvem medos que adquirem volumes à medida que o crescimento mental e emocional amplia a capacidade de conduta do educando.
(É importante analizar a nossa conduta na educação e orientação dada às nossas crianças, procurando transmitir-lhe confiança em si mesmas e segurança na vida desde a mais tenra idade . Esse amor, essa orientação continua, prevalecerá na vida delas, alicerçando a sua maneira de estar e tornando-as mais fortes e saudáveis em todos os sentidos na sua evolução, preparando-as para enfrentar sem temor as adversidades da vida.)
Os fenomenos naturais que assolam o planeta actualmente, ceifando vidas, o terrorismo,a violência urbana, as injustiças sociais profundas, a competição perversa nos negócios, produzem medo naqueles cuja constituição emocional,perturbada desde a infância pelos temores que lhe foram infundidos,desdobra-se em pavores inquietantes.
A impotência do ser humano diante dos fenômenos da Natureza e a quase indiferença de algumas autoridades do mundo em relação aos seus governados,geram medo de cada qual ser a próxima vítima, refugiando-se no silêncio e no temor que assalta ameaçador.
Devido ao ambiente que vivemos através dos midia (lixo) que se compraz em exaltar o exdruxulo, e todo o agressivo contexto social , desenvolvemos o medo da convivência, vendo sempre os outros como possíveis futuros agressores.
(Medos impedem o repouso. Impedem-nos de viver e sentir a vida de modo saudável.
Apresentam-se então inumeráveis medos : da perda de emprego, do desconhecido, do escuro, de relações afectivas,da confiança nos demais,de animais, de insectos, das alturas e a lista não fica por aqui.
Acrescentando-se o medo de morrer (sobre o qual falaremos mais adiante numa próxima postagem).
Vive-se assim em continuo sofrimento.)
Assumisse-se , no entanto a atitude do amor e constatarse-ia que ele é o grande eliminador que qualquer expressão de receio e inquietação, porque oferece resistência moral para os enfrentamentos,para os fenómenos que fazem parte do processo de evolução.
A mente indisciplinada e invigilante, não se habilitando a planificações profundas e de alto significado em torno dos ideias de beleza, do conhecimento, da religião, da investigação científica, da solidariedade humana, tende a cultivar os medos que se lhe transformam em verdadeira paisagem de apresentação masoquista.
Perdem-se excelentes oportunidades de viver-se integralmente o momento existencial com as suas dádivas, ...
.(...............................................................................................................)
Pessoas frágeis e amorosas conseguem superar situações desastrosas com uma coragem e fé surpreendentes, enquanto outras, consideradas fortes baqueiam diante de insucessos de pequena monta.
Daí podemos observar que cada ocorrência se expressa de maneira muito própria de individuo para individuo.
Todos temos os mesmos direitos de fazer o que nos aprover desde que não agrida os interesses alheios, daí que podemos desmascarar os medos que se apresentam em forma de ciúme- insegurança emocional, inveja-tormento do mesmo conflito de insegurança, ódio-incapacidade de compreender e perdoar,despeito-ausencia de critério de autovalorização,todos provenientes da imaturidade psicológica.
O terrivel medo de amar em face da possibilidade de sofrer-se a indiferença ou o desprezo da pessoa anelada.
Pior que amar e não receber resposta idêntica, é o prejuízo de nunca haver amado.
Melhor que se haja vivido uma experiência cujos resultados não foram os mais agradáveis, do que permanecer-se na incerteza de como seria tal realização.
Nada é fácil sempre apresentando-se como recurso de aprendizagem e de evolução.
O medo oculta-se na fantasia de tudo muito fácil sem suores nem lágrimas, sem sofrimentos nem lutas,gerando incertezas em torno do acto de existir.
Caso os medos não sejam enfrentados desde as primeiras manifestações
,vâo-se acumulando tornando-se cada mais mais difíceis de serem solucionados.
A coragem de manter contacto com os próprios medos é recurso terapêutico muito valioso para a sua erradicação.
Graças aos medos aprende-se como fazer-se algo, o que realmente se deseja fazer e para que se quer realizar.
Mesmo quando superado o medo, não significa a sua eliminação total e absoluta, pois que novas situaçõesmpodem exigir precaução e vigilância que se apresentarão em forma de temor.
A grande terapia para todos os tipos de medo é o amor. O amor por si próprio, o amor ao próximo, o amor a Deus.
Quando ama o ser enriquece-se de coragem, embora não possa evitar os enfrentamentos em face dos impulsos edificantes que do amor emanam.
Sempre que voltem os medos- e eles retornarão o que é muito útil- porque fortalecido o individuo com mais decisão e sabedoria os enfrenta, superando-os por completo.
A escolha é de cada um: o medo ou o amor. Já que os dois não convivem no mesmo espaço emocional.
É preferível tentar do que permanecer na dúvida.
Toda a vez que se equivoque, ao invés de uma reacção de raiva pelo medo, permita-se a compaixão como direito que se tem pelo erro cometido, considerando-se o estágio da humanidade.
Ninguém é excepção no mundo, vivenciando todos experiências equivalentesque fazem parte do programa de elevação individual.
O medo é sempre injustificável , seja como for que se expresse.
Sempre que o medo permanece mais medo se acumula.
Quanto mais se ama mais amor se tem a oferecer.
Mediante também a compaixão, que é diluente do medo, o ser humano torna-se mais digno e saudável.
Graças a esse sentimento que se expande, na medida em que se ama, o ser engrandece-se e enriquece-se de vida envolvendo-se de paz.
Da obra de Divaldo Franco – Pelo espiríto Joana D’Angelis- Conflitos existenciais.
Encontramos também noutras obras conhecimento sobre este tema que nos ajuda a refletir.
De “As Dores da Alma” ditado por Hammed a Francisco do Espírito Santo Neto:
Fala-nos a obra que desvendar gradativamente nossa geografia interna nos proporciona uma base sólida de confiança..
Normalmente tudo o que é desconhecido nos causa temor.
Até o medo de nós mesmos nos é prejudicial.
Muitas pessoas não enfrentam seus problemas e não se auto-analizam com medo do que podem vir a descobrir sobre si próprias.
Como antídoto contra o medo temos também o arrependimento.
Diz-nos o autor que –“ Quem se arrependeu é porque examinou suas profundezas e descobriu que seus desejos e tendências nada mais são que impulsos comuns a todos os seres humanos.
Quem se arrependeu é porque aprendeu que é humano, falível, e nem melhor nem pior que os outros.
Existem crenças de infância que nos geram a incerteza do nosso valor pessoal, e que desenvolvem o sentimento de fraca auto-.estima que tanto nos projudica.
Lembremos-nos que “ Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação”.
Uma das manifestações do medo mais problemáticas para as criaturas humanas é a denominada fobia social ou agorafobia.Etimologicamente, a agorafobia significa medo da praça, (ágora=praça, palavra oriunda do grego). É o pavor de fazer o que quer que seja em público.
Conceituamos fobia como sendo um medo superlativo e desmedido transferido a individuos, lugares e situações, que, naturalmente não podem provocar mal algum. Quando a agorafobia se torna cronica, começa a atrapalhar a vida dos individuos em todas as áreas do relacionamento humano.
O fóbico social receia ser julgado e avaliado pelos outros, pois os comportamentos que mais temem são falar, comer e beber diante das outras pessoas, frequentar cursos, palestras, festas cinemas, ou seja, qualquer actividade social em lugares movimentados.
Dentre as muitas dificuldades, que envolvem a agorafobia, a mais grave é a incerteza de nosso valor pessoal e as crenças de baixa estima que possuímos, herdadas muitas vezes na infância.
O sentimento de inferioridade é o grande dificultador da necessidade dos relacionamentos seguros e sadios.Esse sentimento produz uma necessidade de estarmos sempre certos e sempre aplaudidos pelos outros. Tememos mostrar-nos como somos e escondemos os nossos erros , convencidos de que seremos desprestigiados perante os nossos companheiros e amigos. Dissimulamos constatemente, fazemos pose e forçamos os outros a nos aceitar. Quanto mais tempo passa e permanecemos nessa atitude íntima, mas a insegurança se avoluma, chegando a alcançar tamanha proporção que um dia passará a nos ameaçar.
Dessa forma, instala-se gradativamente, a fobia social, ou seja, o medo que desenvolvemos pelos outros, por tanto representar papéis e “scipts” que não eram nossos.
Tabus, irrealidades, superstições, mitos, conceitos errôneos e preconceituosos que assimilamos de forma verbal ou pelos gestos , abrangendo os vários sectores do conhecimento humano, como as regras sociais, as higiénicas, as alimentares e as religiosas.
(.............................................................)
O cortejo dos fenómenos fóbicos poderá ser oriundo de conflitos herdados das existências passadas, dos sofrimentos expressivos vividos no plano astral e dos assédios d entidades ignorantes, mas a matriz onde tudo se interliga e que deverá ser trabalhada e tratada é a consciência comprometida e limitada dos individuos em, desajuste mental.
O medo será sempre a lente que aumentará o perigo.Segundo a excelência do pensamento de Tito Lívio , historiador latino nascido em 59 a.C.,”quanto menor o medo menor o perigo”.
Questão 766 do Livro dos Espíritos:
A vida social está em a Natureza?
“ Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade.Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação”.
Amigos, espero que nestes textos, de profundo significado, encontrem a luz que alcance vossa alma , ajudando a fortalecer a força e fé em nós e em Deus que nos ajuda a ultrapassar todas as dificuldades.
Nota: em itálico as minhas intervenções.
Até breve.
Muita paz.
Sem comentários:
Enviar um comentário