
Cap.IX
A Cólera
Por Hannemann
Paris, 1863
Segundo a ideia muito falsa de que não se pode reformar a própria natureza, o homem se julga dispensado de fazer esforços para se corrigir em que se compraz voluntáriamente, ou que para isso exigiriam muita perseverança. É assim, por exemplo, que o homem inclinado à colera se desculpa quase sempre com o seu temperamento. Em vez de se considerar culpado, atribui a falta ao seu organismo, acusando assim a Deus pelos próprios defeitos. É ainda uma consequência do orgulho, que se encontra mesclado a todas as suas imperfeições.
Não há dúvida que existem temperamentos que se prestam melhor aos actos de violència, como existem musculos mais flxiveis, que melhor se prestam a exercícios físicos. Não penseis porém, que seja essa a causa fundamental da cólera, e acreditai que um Espírito pacífico, mesmo num corpo bilioso, será sempre pacífico, enquanto um Espírito violento num corpo linfático, não seria dócil. Nesse caso, a violência apenas tomaria outro caráter.Não dispondo de um organismo apropriado à sua manifestação, a sua cólera seria concentrada, enquanto no caso contrário seria expansiva.
O corpo não dá impulsos de cólera a quem não os tem, como não dá outros vicios. Todas as virtudes e todos os vicios são inerentes ao Espírito. Sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade?O homem que é deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nada tem com isso, mas pode modificar o que se relaciona com o Espírito, quando dispõe de uma vontade firme. A experiência não vos prova, espíritas, até onde pode ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam aos vossos olhos?Dizei, pois, que o homem só permanece vicioso porque o quer, mas que aquele que deseja corrigir-se sempre o pode fazer. De outra maneira, a lei do progresso não existiria para o homem. “
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